sábado, 27 de fevereiro de 2010
Assaltos a Cemitérios: Comunicado do Clero Arciprestal

Reunido no habitual encontro mensal, no Centro Social e Paroquial de Recardães, o Clero do Arciprestado de Águeda, da Diocese de Aveiro, reflectiu e analisou a recente “onda” de assaltos a cemitérios localizados no território deste Arciprestado. Da reflexão resultou a seguinte tomada de posição:
1. Os cemitérios são espaços de jurisdição autárquica.
2. Ao mesmo tempo, são espaços onde a Igreja interage na celebração do Ritual das Exéquias e sepultura de cadáveres e, ainda, nas celebrações anuais de Fiéis Defuntos.
3. Neste sentido, para os cristãos, o cemitério é um local sagrado, apesar da sua laicização. O Ritual das Exéquias prevê, inclusivamente, a bênção das sepulturas.
4. Mesmo do ponto de vista meramente humano, os cemitérios são locais de respeito e consideração porque são lugar de repouso dos antepassados.
5. O Clero Arciprestal de Águeda, consternado e entristecido, repudia, veementemente, todos os actos de vandalismo e usurpação que vários cemitérios localizados em território arciprestal têm sido alvo.
6. Entende o Clero de Águeda que tais actos, para além criminosos, manifestam um grave desrespeito pela memória dos antepassados.
7. A crise económico-financeira que atravessamos não pode ser justificação e desculpa destes actos. Estes crimes reflectem uma certa mentalidade actual, insensível e desrespeitadora, apostada em extirpar os valores do humanismo cristão, como a dignidade humana, a fraternidade, a solidariedade e o amor.
8. Da nossa parte fica o compromisso de alertar e sensibilizar o Povo de Deus a nós confiado para um cuidado redobrado e maior cautela quanto a bens pessoais e familiares.
9. Não nos resta, desde modo, outra possibilidade que fazer votos para que as autoridades competentes tenham à sua disposição os recursos humanos e os efectivos necessários para maior vigilância destes espaços. E que a investigação destes actos criminosos leve à punição de quem os cometeu.
Centro Social e Paroquial de Recardães
25 de Fevereiro de 2010
PASTORAL DA CARIDADE NO ARCIPRESTADO DE ÁGUEDA
O Pe. Paulo Gandarinho e o Diácono Augusto Semedo são os delegados da Pastoral da Caridade no Arciprestado. Na última reunião do Clero apresentaram objectivos e estruturas deste sector fundamental da vida da Igreja. Nesta reactivação deste serviço pastoral, caberá lugar de relevo à Mobilidade Humana assim como o Apoio às IPSS.

1. OBJECTIVOS
Coordenar as diversas instâncias da pastoral sócio-caritativa a nível arciprestal, em comunhão com o Secretariado Diocesano da Pastoral Sócio-Caritativa;
Dinamizar acções de sensibilização junto das comunidades paroquiais no sentido de viverem a caridade como essência do seu agir cristão e de despertar consciências e formar mentalidades;
Potenciar os diversos meios que o Arciprestado dispõe ou venha a dispor como resposta às situações de carência social e humana e ainda de exclusão social;
Promover o espírito de gratuidade e voluntariado entre os cristãos do Arciprestado;
Procurar gerar dinâmicas de parceria entre as instituições da Igreja e fora dela no sentido da resolução dos problemas identificados;
Dinamizar acções de formação na área da pastoral sócio-caritativa para os agentes da pastoral sócio-caritativa e para os cristãos em geral.
2. ESTRUTURAS
a) SERVIÇO DA CARIDADE (Caritas, Conferências Vicentinas…)
Promover a acção sócio-caritativa como parte essencial da acção evangelizadora e celebrativa da fé;
Promover a consequente partilha de bens;
Criar, dinamizar, apoiar e acompanhar grupos paroquiais de acção sócio-caritativa;
Desenvolver as actividades e acções necessárias para o conhecimento real e actualizado das carências sociais e humanas;
Atender à fraternidade universal traduzida em prontidão de real partilha de proximidade;
Promover a formação dos agentes nesta área.
b) SERVIÇO DA PASTORAL DA SAÚDE
Sensibilizar as comunidades cristãs para a dimensão da pastoral da saúde, apoiando a criação de serviços a nível paroquial, nomeadamente de visitadores de doentes;
Promover e coordenar o voluntariado nesta área da pastoral da saúde;
Promover a ligação entre a paróquia e internados nos serviços de saúde;
Promover a formação dos agentes nesta área.
c) Analisar propostas para o Serviço da Mobilidade Humana e Apoio às IPSS
Estratégias:
- reflexão dos responsáveis por esta área e fazer propostas ao clero arciprestal;
- levantamento do que existe e dificuldades nesta área a partir do clero;
- assembleia arciprestal de agentes de pastoral na área da caridade, para Maio ou Junho, como ponto de partida para a estruturação e dinamização deste sector no arciprestado.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Clero Arciprestal dá-se a conhecer no You Tube
Os padres do Arciprestado de Águeda estão no You Tube para falar sobre a missão do padre no contexto actual da Igreja e do mundo, sobre as alegrias e dificuldades da vida sacerdotal e sobre as suas histórias pessoais. A iniciativa acontece integrada em pleno Ano Sacerdotal, proclamado pelo Papa Bento XVI, usando as novas tecnologias da informação ao serviço da evangelização e da construção da Igreja neste tempo e neste mundo.
Juntamente com os padres do Arciprestado está o Bispo da Diocese, D. António Francisco, que aceitou o desafio e cujo vídeo aqui apresentamos.
Os vídeos resultantes desta iniciativa serão colocados quer no canal do Arciprestado no You Tube e serão igualmente reproduzidos no blogue arciprestal.
Para as entrevistas aos sacerdotes de Águeda, orientadas pelo Diácono José António, seguiu-se um esquema comum, com os seguintes blocos temáticos: apresentação pessoal, vocação, vida sacerdotal e aspectos interpelantes, ano sacerdotal e mensagem aos cibernautas. Os vídeos serão colocados tendo em conta estes itens.
No canal arciprestal no You Tube já figuram alguns víedos: Festa Arciprestal do Corpo de Deus, Ordenação Diaconal, Presbiteral e Missa Nova do Padre João (natural deste Arciprestado e que aconteceu há um ano), bodas de prata sacerdotais do arcipreste, Pe. Júlio Grangeia, reportagens televisivas sobre os assaltos às Igrejas e Festas do Arciprestado com Jovens. Também a palavra de apresentação do blogue e da iniciativa do clero arciprestal se dar a conhecer no You Tube está já disponível.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Palavra do Arcipreste de Águeda no You Tube
Brevemente mais vídeos de todos os padres do arciprestado, no âmbito do Ano Sacerdotal
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Testemunho é a melhor forma de atrair novas vocações
Bento XVI está convencido de que o testemunho de padres fiéis à sua missão contribui para suscitar respostas afirmativas ao chamamento que Deus faz à vida sacerdotal e consagrada.
“A fecundidade da proposta vocacional depende primariamente da acção gratuita de Deus, mas é favorecida também – como o confirma a experiência pastoral – pela qualidade e riqueza do testemunho pessoal e comunitário de todos aqueles que já responderam ao chamamento do Senhor no ministério sacerdotal e na vida consagrada”, escreve o Papa na mensagem para o 47.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.
A primeira parte do documento é dedicada a uma breve resenha histórica, biblicamente sustentada, sobre a importância da coerência entre as palavras e os actos.
“Já no Antigo Testamento – recorda o texto – os profetas tinham consciência de que eram chamados a testemunhar com a sua vida aquilo que anunciavam, prontos a enfrentar mesmo a incompreensão, a rejeição, a perseguição.”
A missão de Jesus, por seu lado, comprova “o amor de Deus por todos os homens sem distinção, com especial atenção pelos últimos, os pecadores, os marginalizados, os pobres”. Ele “é a suprema Testemunha de Deus e da sua ânsia de que todos se salvem”, observa Bento XVI.
A opção dos apóstolos em deixar tudo para seguir Jesus atesta que a “iniciativa livre e gratuita de Deus cruza-se com a responsabilidade humana daqueles que acolhem o seu convite, e interpela-os para se tornarem, com o próprio testemunho, instrumentos do chamamento divino”.
Oração, oferta de vida e comunhão
O Papa destaca três aspectos da vida do padre que considera essenciais para “um testemunho sacerdotal eficaz”.
A mensagem começa por destacar a “amizade com Cristo”, que se manifesta e alimenta da oração, “primeiro testemunho que suscita vocações”. “Quem quiser ser discípulo e testemunha de Cristo deve tê-Lo ‘visto’ pessoalmente, deve tê-Lo conhecido, deve ter aprendido a amá-Lo e a permanecer com Ele, assinala a mensagem.
O segundo aspecto que deve transparecer na vida das pessoas consagradas consiste no “dom total de si mesmo a Deus”. “A história de cada vocação – indica Bento XVI – cruza-se quase sempre com o testemunho de um sacerdote que vive jubilosamente a doação de si mesmo aos irmãos por amor do Reino dos Céus”.
O sacerdote deve ser também “um homem de comunhão, aberto a todos”, ajudando a “superar divisões” e “perdoar as ofensas”.
A alegria que nasce de uma vida enraizada na oração, oferta de vida e comunhão contribui para manifestar uma esperança que vence todas as tristezas. O testemunho desta convicção poderá interpelar aqueles que se interrogam sobre o chamamento de Deus.
“Os jovens – sublinha o Papa – se virem os sacerdotes isolados e tristes, com certeza não se sentirão encorajados a seguir o seu exemplo. Levados a considerar que tal possa ser o futuro de um padre, vêem aumentar a sua hesitação.” Por isso torna-se importante mostrar “a beleza de ser sacerdote”.
Em síntese, “as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira”.
De maneira semelhante, a fidelidade e o testemunho dos religiosos, “porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total”.
Fonte: Ecclesia
“A fecundidade da proposta vocacional depende primariamente da acção gratuita de Deus, mas é favorecida também – como o confirma a experiência pastoral – pela qualidade e riqueza do testemunho pessoal e comunitário de todos aqueles que já responderam ao chamamento do Senhor no ministério sacerdotal e na vida consagrada”, escreve o Papa na mensagem para o 47.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.
A primeira parte do documento é dedicada a uma breve resenha histórica, biblicamente sustentada, sobre a importância da coerência entre as palavras e os actos.
“Já no Antigo Testamento – recorda o texto – os profetas tinham consciência de que eram chamados a testemunhar com a sua vida aquilo que anunciavam, prontos a enfrentar mesmo a incompreensão, a rejeição, a perseguição.”
A missão de Jesus, por seu lado, comprova “o amor de Deus por todos os homens sem distinção, com especial atenção pelos últimos, os pecadores, os marginalizados, os pobres”. Ele “é a suprema Testemunha de Deus e da sua ânsia de que todos se salvem”, observa Bento XVI.
A opção dos apóstolos em deixar tudo para seguir Jesus atesta que a “iniciativa livre e gratuita de Deus cruza-se com a responsabilidade humana daqueles que acolhem o seu convite, e interpela-os para se tornarem, com o próprio testemunho, instrumentos do chamamento divino”.
Oração, oferta de vida e comunhão
O Papa destaca três aspectos da vida do padre que considera essenciais para “um testemunho sacerdotal eficaz”.
A mensagem começa por destacar a “amizade com Cristo”, que se manifesta e alimenta da oração, “primeiro testemunho que suscita vocações”. “Quem quiser ser discípulo e testemunha de Cristo deve tê-Lo ‘visto’ pessoalmente, deve tê-Lo conhecido, deve ter aprendido a amá-Lo e a permanecer com Ele, assinala a mensagem.
O segundo aspecto que deve transparecer na vida das pessoas consagradas consiste no “dom total de si mesmo a Deus”. “A história de cada vocação – indica Bento XVI – cruza-se quase sempre com o testemunho de um sacerdote que vive jubilosamente a doação de si mesmo aos irmãos por amor do Reino dos Céus”.
O sacerdote deve ser também “um homem de comunhão, aberto a todos”, ajudando a “superar divisões” e “perdoar as ofensas”.
A alegria que nasce de uma vida enraizada na oração, oferta de vida e comunhão contribui para manifestar uma esperança que vence todas as tristezas. O testemunho desta convicção poderá interpelar aqueles que se interrogam sobre o chamamento de Deus.
“Os jovens – sublinha o Papa – se virem os sacerdotes isolados e tristes, com certeza não se sentirão encorajados a seguir o seu exemplo. Levados a considerar que tal possa ser o futuro de um padre, vêem aumentar a sua hesitação.” Por isso torna-se importante mostrar “a beleza de ser sacerdote”.
Em síntese, “as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira”.
De maneira semelhante, a fidelidade e o testemunho dos religiosos, “porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total”.
Fonte: Ecclesia
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Mensagem de D. António Francisco para a Quaresma

O Bispo de Aveiro lembra que a Quaresma e a Páscoa “proporcionam um tempo de caminhada espiritual para quem faz do sonho humano e do projecto cristão uma convicção de fé, uma atitude de fidelidade, um caminho de conversão"
Irmãos e Irmãs,
1. A Quaresma é tempo de salvação e de graça que marca o ritmo de vida da Igreja. Queremos viver este tempo com verdade, como um estado de espírito e de caminhada na fé que tomamos para nós e para as nossas comunidades. Nenhum de nós vive sozinho, por mais só, isolado ou abandonado que esteja. Vivemos em família, em sociedade e em Igreja decididos a construir como nos propúnhamos no primeiro dia deste ano, dia mundial da paz, um equilíbrio ecológico saudável com toda a criação. Como Igreja Diocesana, mãe e educadora da fé, comprometemo-nos nesta II.ª Etapa do Plano Diocesano de Pastoral a proporcionar momentos de formação para as comunidades no seu todo, tendo como tema: “A fé, fundamento da Esperança”. Estamos conscientes de que tudo é possível a quem crê e por isso queremos despertar para uma vida nova e testemunhar a nossa fé com alegria e verdade! A dimensão baptismal e a dimensão penitencial estarão presentes ao longo deste tempo com mais incidência e esforço, levando-nos a procurar com assiduidade a Palavra de Deus, a fortalecer a vida com o sacramento da Penitência e da Eucaristia e a mobilizar as comunidades para crescerem na maturidade da fé e no compromisso cristão. Só Cristo é fonte de água viva, luz do mundo e cura redentora que vence o pecado e ultrapassa a morte. A Quaresma e a Páscoa proporcionam um tempo de caminhada espiritual para quem faz do sonho humano e do projecto cristão uma convicção de fé, uma atitude de fidelidade, um caminho de conversão, uma experiência de revisão de vida, um encontro feliz com Deus e um louvor pascal permanente.
2. A mensagem do Santo Padre para esta Quaresma lembra-nos que “a justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo” (Rom 3, 21-22). Todos sabemos que aquilo de que a humanidade mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. O homem necessita de um existência em plenitude que nasce da justiça de Deus, cresce na fé e é fruto precioso do mistério redentor da cruz e da Páscoa. Converter-se a Cristo e acreditar no Evangelho é caminho para esta existência de plenitude. Com Cristo, justiça de Deus, o mal já não terá domínio sobre nós, a pobreza será erradicada e a injustiça eliminada do coração humano. Só Deus levanta do pó o indigente e só Ele nos fará compreender os horizontes novos, inesperados e surpreendentes da justiça, inaugurados pela Páscoa, em que o justo é capaz de morrer pelo culpado para que o culpado receba em troca a bênção do justo. Cristo é este Justo que no mistério da cruz e da redenção se ofereceu pelos culpados. Sabemos, como nos lembra o Santo Padre, que a fé não é um facto natural, cómodo, óbvio. É preciso humildade para acreditar, coragem para confiar, perseverança para ser fiel e para descobrir que precisamos de Deus, do seu amor e da sua misericórdia. Com passos firmes e corajosos, queremos, como cristãos, caminhar na esperança, vencer a rotina, viver da fé e educar para a justiça.
3. Todos clamamos por mudança de sistemas e sentimos a complexidade, o distanciamento dos valores da vida e a morosidade da justiça humana. Não basta a existência da lei nem a sua aplicação para que sejamos resposta e amparo, segundo as bem-aventuranças, para os que têm fome e sede de justiça. A sociedade tem, no campo específico da justiça como noutros horizontes da vida, um longo caminho a percorrer. O realismo da vida social, os clamores do povo e as situações concretas de injustiças humanas dizem-nos que os cristãos são chamados, pela abertura de coração, pela verdade da fé e pela transparência da vida, a contribuir para instaurar a justiça no coração da cidade dos homens e mulheres do nosso tempo e na vida das pessoas, das famílias, das empresas e das instituições.
4. A consciência da nossa fé, a responsabilidade de cada pessoa na construção do bem comum, o conhecimento de tantos dramas pessoais e sociais, a sensibilidade diante do sofrimento humano, o espírito de partilha com os que mais precisam, lutam e sonham e a atenção a todos os que batem à nossa porta ou a muitos outros que se escondem no anonimato da sua pobreza e se vestem com a tristeza da sua miséria devem tornar-nos mais atentos e disponíveis, mais solícitos e solidários. A justiça completa-se com a caridade, fonte inesgotável de amor, de generosidade e de dom. É com este espírito de caridade cristã e de partilha solidária que vos convido, amados diocesanos, a uma generosa renúncia quaresmal, que este ano orientaremos para a Igreja de Cabo Verde e para o Fundo Diocesano de Emergência Social, criado na nossa diocese, de acordo com a decisão assumida no Plano Diocesano de Pastoral Sócio-Caritativa. A ajuda à Igreja de Cabo Verde e concretamente à paróquia de S. Miguel e ao Centro Social Paroquial do concelho da Calheta, na diocese de Santiago, empenhado na promoção feminina, no apoio a mães solteiras, na alfabetização de adultos e no Centro juvenil inscreve-se no contexto e na consolidação de um projecto anterior de voluntariado missionário, através da colaboração do nosso Colégio de Calvão e da presença e do trabalho nessa paróquia de vários membros da nossa Igreja diocesana. Este sentido dado à renúncia quaresmal não nos dispensa de continuarmos a contribuir com generosidade, através da Cáritas Diocesana, para minorar o sofrimento do povo mártir do Haiti e ajudarmos pelos caminhos da comunhão entre Igrejas a reconstruir esse País e a dotar a Igreja local das estruturas de que necessita para a sua missão. Assim como não nos impede de, particularmente neste Ano Internacional de luta contra a pobreza e exclusão social, continuarmos a trabalhar para erradicar a pobreza no nosso meio, minorando dores e provações por que passam muitos dos que vivem ao nosso lado.
5. A vivência do Ano Sacerdotal como sinal mais visível da beleza do ministério e do testemunho de fidelidade dos sacerdotes e a próxima visita do Santo Padre a Portugal sob o lema: “contigo caminhamos na Esperança” devem ajudar-nos a viver esta Quaresma e o Tempo Pascal com a consciência de sermos povo santo e sacerdotal e fermento de um mundo novo e melhor. Caminhando com o Santo Padre na fé e na esperança, acolhemos o convite que esta Quaresma nos traz para nos convertermos a Cristo, acreditarmos no Evangelho e construirmos a justiça, manifestando como pessoas, famílias e comunidades a fecundidade da cruz e a alegria da Páscoa.
Aveiro, 17 de Fevereiro de 2010
+ António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Fraternidade presbiteral é difícil, possível e fundamental

Os trabalhos da tarde de quinta-feira da formação do Clero de Aveiro procuraram responder à questão “Será possível uma fraternidade presbiteral?”. Depois de explanar a questão da fraternidade e da unidade, e também dos seus contrários, Pe. Emilio Magaña, da Pontifícia Universidade Gregoriana respondeu positivamente: “Sim é possível a fraternidade sacerdotal, mas esta requer a graça de Deus, a nossa oração, o nosso esforço e muito trabalho”.
O jesuíta começou por assegurar que a formação humana dos sacerdotes é importante em relação aos destinatários do ministério e que aquela deve ajudar a “plasmar a personalidade de modo a não ser obstáculo a que os demais encontrem Jesus Cristo”.
Para o docente da Pontifícia Universidade Gregoriana “uma personalidade desequilibrada é obstáculo à evangelização”. Daí que seja fundamental buscar a maturidade da personalidade, que seja equilibrada, livre, forte e capaz das responsabilidades pastorais.
Baseado na exortação “Pastores dabo vobis” assentiu que “o sacerdote deve ser afável, acolhedor, sincero, prudente, discreto, generoso, disponível, capaz de suscitar relação, compreensivo, homem de perdão e consolador”.
E afirmou: “Não podemos ser construtores de comunidades se nós próprios não somos exemplo de unidade entre nós”. Neste sentido, colocou o presbitério como lugar de referência onde se vive o ministério sacerdotal e diaconal em unidade com os irmãos.
Para o orador “a vida fraterna sacerdotal mede-se pela capacidade de relação com os outros serena e confiadamente”. Assim sendo, o presbitério deve ser o lugar onde o sacerdote se realiza e se sente feliz e incorporado não apenas pelo vínculo da incardinação.
A cada sacerdote é, contudo, pedido que se reconheça como é, com limites e falhas, mas também com virtudes, dons e capacidades. Além disso, deve viver o momento presente como se fosse o último e, por fim, descobrir no que se faz a vivênvia da vocação.
Depois de ter apontado a empatia e a auto-estima como virtudes fundamentais da vida sacerdotal, elencou, ao invés, uma série de atitudes ou formas de ser sacerdotais que em nada beneficiam a construção da fraternidade presbiteral. Aqui falou dos padres que se digladiam abertamente e que não se falam e evitam-se. Referiu aqueles que se auto-elegem os vigilantes da ortodoxia da diocese e ainda dos que sabem tudo sobre todos e conhecem sempre as últimas notícias sobre os outros sacerdotes. Apontou também aqueles que se auto-determinam juízes e que têm opinião sobre tudo. Sacerdotes especialistas em negativismo, violentos, falsos e hipócritas foram outras formas de ser referenciadas por Emilio Magaña para quem com este tipo de pessoas não é possível formar qualquer tipo de comunidade e presbitério.
O docente mexicano não passou ao lado de algumas patologias nas quais os sacerdotes podem cair: narcisismo, ira e nervosismo e aborrecimento. Estas formas de viver o ministério sacerdotal, segundo o orador, mais cedo ou mais tarde, conduzirão à depressão e à frustração da pessoa.
O último ponto da comunicação foi dedicado ao Magistério da Igreja particularmente naquilo que ele diz sobre a fraternidade sacerdotal. “Lumen Gentium” e “Presbyterorum Ordinis” foram os dois documentos base que serviram à reflexão do jesuíta. Antes de terminar deixou quatro pontos imprescindíveis para se poder criar comunhão: aceitação dos outros: respeito, compreensão e estima; sentir com o presbiterado e, finalmente, trato próximo e cordial.
Diácono José António Carneiro
Formação Espiritual é centro vital da vida dos sacerdotes

Pe. Emilio Magaña orientou trabalhos do dia e encerra jornadas sexta-feira
O Pe. Emilio Magaña, da Pontifícia Universidade Gregoriana, foi convidado para o terceiro dia das jornadas de formação do Clero de Aveiro. O sacerdote jesuíta, de origem mexicana, abordou de manhã a “Formação Espiritual dos Presbíteros” e, de tarde, procurou responder à questão “Será possível uma fraternidade presbiteral?“. Para o último dia das jornadas, sexta-feira, o mesmo orador foi desafiado a falar sobre as “Linhas de força da formação ao presbiterado”.
Sobre a formação espiritual, o jesuíta defendeu que esta é o “centro vital da vida dos sacerdotes” e que “não termina com a formação inicial, senão com a morte”. Esta formação deve conduzir o padre a ser um “alter-Christus” sendo que a formação humana é base da formação espiritual.
Na Carta aos Gálatas (4, 19-20), o Pe. Emilio foi buscar a definição da formação espiritual: é a conformação com Cristo e, por isso, constitui o centro vital do sacerdote.
O orador apontou ainda uma “crise de identidade sacerdotal” e destacou que “a identidade está naquilo que somos e não naquilo que fazemos e que somos chamados a ser”, ou seja, sacerdotes.
Para além da necessidade de a formação espiritual dar tempo privilegiado de discernimento, de enamoramento e de descoberta de Cristo, ela deve também combater um certo individualismo muitas vezes vivido pelos sacerdotes.
O jesuíta finalizou a primeira intervenção, das três que foi convidado fazer, anotando os aspectos ou caminhos a que a formação espiritual deve levar: “acercar-se da dor dos irmãos, assumir um estilo de vida ascética, ter disciplina de vida, discernir a forma de ser e, pró fim, caridade pastora”.
No debate da manhã, o Pe. Magaña aflorou ainda algumas questões levantadas pelos ouvintes como o sacerdócio de Cristo, a formação espiritual dos seminários e a formação espiritual na vida sacerdotal, a crise vocacional, o equilíbrio desejado pela formação espiritual e o uso moderado e racional das novas tecnologias da informação.
Diácono José António Carneiro
fotos pe. júlio
Subscrever:
Mensagens (Atom)